Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

COP 26: Líder indígena jovem brasileira chama atenção para a emergência de medidas contra mudanças climáticas

terça-feira, 2 de novembro de 2021 / Categorias: Nota, Povos indígenas

Representando os povos indígenas brasileiros, a líder jovem Txai Suruí fez um pronunciamento nesta segunda-feira (1) na 26ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima (COP26) destacando a emergência de colocar em pauta medidas práticas para impedir as mudanças climáticas em curso no planeta. Filha do líder indígena de Rondônia Almir Saruí, uma das lideranças indígenas mais importantes do Brasil, Txai fez um discurso poderoso. “Não é 2030 ou 2050. É agora”, disse. “Hoje o clima está esquentando, os animais estão desaparecendo e os rios estão morrendo, nossas plantações não florescem como antes. A Terra está falando. Ela nos diz que não temos mais tempo”, completou a indígena. 

Mais de 40 indígenas brasileiros marcam presença na COP26, sendo a maior delegação de lideranças indígenas brasileiras na história da Conferência do Clima, segundo dados da  Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI), deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), também faz parte da delegação. 

A delegação indígena coloca pressão sobre o governo de Jair Bolsonaro (sem partido), que não compareceu ao evento, ainda que esteja presente em solo europeu. Os povos indígenas pretendem denunciar as ações anti indígenas e anti ambientais do presidente.

“A Apib e suas organizações indígenas denunciam de forma constante as invasões aos territórios, a contaminação de rios e nascentes por agrotóxicos e mercúrio, o desmatamento desenfreado da Floresta Amazônica, do Cerrado e do Pantanal. Segundo a organização, apesar desse cenário, os fundos econômicos continuam apoiando financeiramente a ganância desenfreada que destrói o planeta”, diz a Apib. 

Mesmo sendo responsável pela proteção da maior parte do patrimônio florestal global e, consequentemente, da capacidade de armazenar mais de 293 gigatoneladas de carbono, um terço das terras indígenas e comunitárias de 64 países estão sob ameaça devido à ausência de demarcação.

Na semana passada, a Aib divulgou uma mensagem aos líderes mundiais, gestores de políticas públicas, empresários e organizações da sociedade civil reunidos na COP 26. A entidade defendeu a demarcação de terras indígenas como forma de diminuir o ritmo das mudanças climáticas. 

“Terra Indígena é garantia de futuro para toda a humanidade. Nossa relação com o território não é de propriedade, exploração, expropriação ou apropriação, mas de respeito e manejo de um bem comum, que serve a toda humanidade como pólos de contenção das dinâmicas extrativistas que provocam a crise climática. Até hoje – e isso não dizemos nós, mas a ONU e diversos institutos de pesquisa com a reputação mais elevada que a ciência ocidental pode demandar -, somos nós, Povos Indígenas, os maiores responsáveis pela preservação dos biomas do planeta”, diz a mensagem.