Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

Força Nacional vai atuar na terra indígena Yanomami

terça-feira, 15 de junho de 2021 / Categorias: Demarcação de terras indígenas, Garimpo, Mineração, Nota, Povos indígenas, Povos indígenas do Estado de Roraima, Terras indígenas

A Força Nacional vai atuar em apoio à Fundação Nacional do Índio na Terra Indígena Yanomami. A portaria autorizando a atuação efetiva foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (14). Desde maio, a Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) já vinha alertando sobre a necessidade de proteção urgente ao povo indígena. A Força Nacional vai atuar durante 90 dias em Roraima e o prazo pode ser prorrogado. 

O povo Yanomami vive sob ataque de garimpeiros ilegais. “Nós não podemos fechar os olhos para a gravidade do que está acontecendo na terra indígena Yanomami, onde os indígenas estão pedindo para se manterem vivos. Sendo atacados por garimpeiros e isso tem sido feito constantemente, todos os dias”, disse a deputada federal Joenia Wapichana (REDE-RR), coordenadora da FPMDDPI em uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara em maio. 

Líder Yanomami, Dario Yanomami reforçou nesta terça-feira (15) a necessidade de proteção à comunidade indígena. “Hoje nós estamos vivendo uma situação de muita violência, garimpos ilegais, nossos rios estão sujos e contaminados. E cada vez mais estamos sofrendo com problemas de saúde: malária e casos de covid-19 trazidos por garimpos ilegais. Nós já fizemos várias denúncias para as autoridades”, relatou. Ele contou que já apresentou as denúncias, inclusive, para o vice-presidente Hamilton Mourão, mas que não surtiu muito efeito.

Para ele, a decisão pelo envio da Força Nacional para a TI Yanomami foi um sinal importante para o povo Yanomami, porque se trata de responsabilidade e dever do Governo Brasileiro retirar os garimpeiros da Terra Indígena Yanomami. Porém, o desejo principal do povo Yanomami é “eliminar o garimpo ilegal” no território Yanomami e não apenas destruir maquinários e assustar garimpeiros.  

“Não queremos helicópteros sobrevoando e espantando os garimpeiros, quebrando os maquinários, não queremos isso. Queremos acabar com o garimpo”, disse. Ele participou de uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, junto com outras lideranças indígenas de Roraima, para denunciar o PL 490, o marco temporal e o garimpo ilegal. 

Em 21 de maio, a FPMDDPI encaminhou ofício junto com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a retirada dos garimpeiros ilegais da terra indígena Yanomami. O pedido endossa a solicitação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), do último dia 11 de maio.

No início de junho, Joenia alertou a Funai sobre a situação gravíssima na região e cobrou providências. Em resposta, Marcelo Augusto Xavier da Silva, presidente do órgão, afirmou que unidades descentralizadas da Funai têm atuado presencialmente junto à comunidade, valendo-se do apoio de segurança da Polícia Federal. 

A FPMDDPI reforça a necessidade urgente de proteção da comunidade Palimiu e as demais comunidades na Terra Indígena Yanomami, antes que o genocídio anunciado se concretize.