Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

Frente Indígena participa do evento virtual da Semana Global de Ação pelos ODS

segunda-feira, 20 de setembro de 2021 / Categorias: Biodiversidade, Demarcação de terras indígenas, Florestas, Invasões em terras indígenas, Mineração, Nota

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) participou, nesta segunda-feira (20), de um debate sobre o Relatório Luz 2021 e o Brasil na Agenda 2030. O evento faz parte da programação da Semana Global de Ação pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), organizado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030. 

Coordenadora da FPMDDPI, a deputada federal Joenia Wapichana (REDE-RR), falou sobre a situação dos povos indígenas no Brasil e a demarcação de terras, estratégica para a conservação do meio ambiente, da biodiversidade e do acesso à água potável. 

“A gente sabe que a demarcação de terras indígenas é estratégico não somente para os povos indígenas, para manter sua cultura, sua vida, sua forma de viver, mas também estratégico como questão ambiental, como forma de garantir diversidade cultural e até mesmo de enfrentamento à crise climática”, disse. 

A deputada destacou a pressão do agronegócio sobre o meio ambiente e sobre os povos indígenas no Brasil, além da presença cada vez mais do garimpo ilegal em terras indígenas. “Cada vez mais a pressão de garimeiros invadindo as terras indígenas está aumentando e a resposta que o governo tem dado é regulamentar o garimpo ilegal”, criticou Joenia. 

A deputada lembrou que o garimpo ilegal traz a contaminação dos rios com mercúrio, o desmatamento e a proliferação de doenças entre povos tradicionais.

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), que também é membro da FPMDDPI, lamentou que o Brasil não esteja no caminho para atingir nenhuma meta dos 17 ODS. “São compromissos assumidos pelo próprio governo brasileiro perante a ONU”, lembrou. 

Ele também denunciou os retrocessos na questão ambiental que estão em curso no país. “O mais grave desse momento é que está em curso a adequação de toda a legislação a esse projeto político coordenado pelo presidente Bolsonaro que representa fome, desemprego, e o desmonte socioambiental, com muitas consequências para povos indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultura familiar e compromete o próprio futuro do país”, disse. 

“Estamos falando de uma série de direitos e partimos do pressuposto de que os direitos não podem ser atacados, nem hierarquizados. Os direitos são de certa forma enganchados com os outros, indivisíveis e inter relacionados”, reforçou a deputada Érika Kokay (PT-DF), também membro da FPMDDPI. “Precisamos assegurar nossa ancestralidade”, defendeu. 

 

Confira a íntegra do evento:

https://www.youtube.com/watch?v=Udc4a57eGko