Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

Frente Parlamentar Indígena repudia tentativa de intimidação de Almir Suruí

segunda-feira, 3 de maio de 2021 / Categorias: Covid-19, Nota, Povos indígenas, Povos indígenas do Estado de Roraima

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) mais uma vez alerta para o uso da Polícia Federal para intimidar lideranças indígenas no Brasil. Desta vez, o alvo do governo federal é um dos principais líderes indígenas do país, Almir Naramayoga Suruí.

Cacique do Povo Paiter Suruí, Almir está entre as lideranças indígenas mais importantes do país. Em 2013, ele ganhou o título de “Herói da Floresta” das Nações Unidas, pelo seu trabalho na conservação da Terra Indígena Sete de Setembro, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso. 

Na última sexta-feira (30), ele foi procurado e indagado por telefone pela Polícia Federal, a pedido da Funai. Em janeiro, Almir Surui subscreveu um pedido de investigação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Tribunal Penal Internacional por ataques aos povos indígenas e aumento da destruição na Amazônia. 

O Povo Paiter Suruí quase foi dizimado ao longo dos séculos depois de inúmeros surtos de doenças, invasões de seu território, roubo de madeira e caça ilegal. É inadmissível que em pleno 2021, o povo indígena também tenha que se proteger da ação autoritária do Estado brasileiro.

Esta não é a primeira vez que a Funai, órgão que tem o dever de proteger o direito dos povos indígenas, aciona a Polícia Federal para tentar intimidar lideranças. A líder indígena Sônia Guajajara, Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), também já foi intimada pela Polícia Federal (PF).

A intimação teria origem em denúncia feita pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que também acusa Guajajara e a Apib de difamar o governo federal com a websérie Maracá que denuncia violações de direitos cometidas contra povos indígenas na pandemia. 

A FPMDDPI repudia qualquer tentativa do governo federal de calar a voz dos povos indígenas, através de ameaças, intimidações e violações de direitos, como ocorre nesta pandemia. Os povos indígenas sempre estiveram em luta e não se deixarão intimidar pelo uso indevido do poder de polícia do Estado para calar denúncias de violação de direitos. Este poder deveria ser usado para combater efetivamente as invasões de terras indígenas e os crimes praticados contra os seus bens e suas vidas.

“O papel da Funai é defender os direitos indígenas e não atacar”, lembra a coordenadora da FPMDDPI, a deputada Joenia Wapichana (REDE-RR).

A FPMDDPI espera que o Presidente da Funai compareça ao Congresso Nacional para explicar o desvio de sua função e que estes expedientes instaurados na Polícia Federal não prosperem por se constituírem em atos de conteúdo intimidatório, que caracterizam mais um ato autoritário do Governo Bolsonaro.