Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas

Parlamentares da Frente Indígena participam de plenária da Marcha das Mulheres Indígenas

quarta-feira, 8 de setembro de 2021 / Categorias: Povos indígenas

A programação da II Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília, prosseguiu nesta quarta-feira (8) com uma audiência na plenária do acampamento onde estão mobilizadas mais de 4 mil mulheres indígenas, de 150 povos dos seis biomas brasileiro. A deputada Joenia Wapichana (REDE-RR), única parlamentar indígena no Congresso Nacional e coordenadora da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas (FPMDDPI) foi uma das convidadas a falar na mesa sobre “diálogo com as mulheres biomas sobre acesso ao direito”, além das deputadas Erika Kokay (PT-DF), Talíria Petrone (Psol-RJ) e Vivi Reis (Psol- PA), também integrantes da Frente. 

Organizada pela Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), o evento tem como tema “Mulheres originárias: Reflorestando mentes para a cura da Terra”. As mulheres chegaram na terça-feira (7) para se juntarem aos indígenas que já estavam acampados no Distrito Federal na mobilização contra o marco temporal, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. 

A deputada Joenia abordou o tema “violência, território/meio ambiente na perspectiva dos direitos humanos”. Disse que a abordagem dessa temática é importante para mostrar que as mulheres fazem parte dessa grande movimentação, como instrumento de cidadania. “A gente vê que aqui estão mais de 4 mil mulheres, número bastante expressivo e que representa a realidade dos biomas. Esse encontro vai mostrar que os biomas também são das mulheres”, disse.

Joenia afirmou ainda que a violência atinge as crianças, ao citar o caso das mulheres Yanomami, vítimas do garimpo em Roraima, na Terra Indígena Yanomami. “É muito grave o que as mulheres estão sofrendo por ataques de garimpeiros”, destacou citando duas crianças que, aterrorizadas quando garimpeiros passaram no rio dando tiros, se jogaram no rio e se afogaram. “Essa violência  é do invasor de nossas terras, de garimpos, que vêm das invasões e da cobiça do ouro, da madeira e da terra”, prosseguiu ao enfatizar que essa luta pela demarcação e contra a redução dos direitos indígenas também é das mulheres.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também participou do evento. “Não há roda que gire sem nosso trabalho enquanto mulher”, disse a parlamentar. “Que país é esse que foi fundado sobre sangue, mas também sobre resistência indígena?! “Por que só temos uma deputada indígena na Câmara Federal?”, questionou Taliria. 

“A gente tem uma história de violência que funda nosso país. De dor, que chega em especial nos corpos negros e indígenas, nos corpos de mulheres negras e indigenas”, afirmou ainda Talíria. “Essa elite madeireira, garimpeira que tenta tirar os territórios de vocês é a elite que tem que ser derrotada”, completou. 

A deputada Vivi Reis (PSOL-PA) prometeu estar ao lado das mulheres indígenas na resistência à tentativa de retirada de direitos dos povos tradicionais. “Vou estar ao lado de cada uma de vocês em todo esse processo de luta e de defesa do território e da vida”, garantiu. ”Existe uma ameaça real. Esse presidente está a serviço dos garimpeiros, a serviço dos grileiros, a serviço dos poderosos que querem dominar e expulsar os povos indígenas de seus territórios. Não vamos sossegar um minuto enquanto estiver a frente do país um sujeito que é contra os direitos dos povos indígenas”, disse Vivi. 

“Hoje vivemos um momento importantíssimo, demonstrando a força das mulheres indígenas de todas as mulheres no Brasil”, disse Vivi sobre a II Marcha de Mulheres Indígenas. 

“Nós estamos aqui com os cocares, com nossas pontas, com nossos maracás, com nossos ancestrais, vivenciando a força que têm as mulheres indígenas para dizer que não vamos permitir que eles consolidem um crime com a aprovação do temporal”, disse a deputada Érika kokay (PT-DF). 

Após a plenária, os povos indígenas e os parlamentares da Frente acompanharam o julgamento do marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF), que foi retomado nesta quarta-feira. 

Foto: Ana Paula Sabino